O segundo começo.

Muita gente vai pensar o por quê de eu ter postado um texto escrito há mais de 2 anos no começo desse blog. Um texto sobre o meu primeiro filho e sobre as minhas tentativas frustradas de ser mãe novamente. A resposta é simples: tudo começou ali. Então, por onde mais eu começaria também? Por isso, para entender essa história toda, melhor ir lá no começo, no primeiro texto.

Ser mãe adotiva é um querer que me persegue. Não sei se por vocação ou por falta de saída, não posso mentir. O fato é que se foi por falta de saída que ele se instalou, meu coração me convenceu bem, porque esse desejo é latente em mim, mesmo agora quando tudo mudou. Ter a capacidade de amar e cuidar de alguém que não tem o meu sangue não seria absolutamente difícil. Saber ser capaz disso me engrandece perante mim mesma. Um filho adotado seria um troféu íntimo pela evolução de minha capacidade de amar. Um filho adotado seria a cereja do bolo de minha vida agora. Bom, talvez daqui a alguns anos, para não afugentar um marido assustado, porém cúmplice de minhas aventuras não planejadas.

A minha vida me surpreende. Jamais a imaginei tão fora do quadrado assim. Muitas pessoas me diriam: – que felicidade viver fora de padrões e estereótipos! Eu pensava isso também. Até que o meu caminho saiu do padrão justo na hora de eu ser mãe. Sabe mãe? Igual a sua, a minha, a do vizinho? Pois é. Eu queria ser mãe igual às outras. Padrão. Engravidar e parir. Engravidar, ter problemas e parir. Enfim, parir. Mas não era isso que o departamento lá de cima havia me reservado. E foi esse mesmo departamento que me enviou um presente: uma criatura com aquela capacidade expandida para amar que eu tanto persigo.

Há dois anos estou em meio a processos e espera no Cadastro Nacional de Adoção. E a espera é bem maior que essa. Vejo pretendentes de mãos atadas e colos vazios há quatro ou cinco anos até. Aquele discurso bonito do meu primeiro texto, sobre esperar, sobre a adoção ser a última opção para as crianças… Eu mudei. Continuo acreditando no poder imensurável do amor. Mas já não acho essa espera tão romântica assim. Mudei de ideia sobre a prioridade da adoção na vida das crianças, por exemplo. Se o amor deve ser independente de consaguinidade para quem adota, por que a justiça não age de acordo com essa lei maior também? Por que insistir tanto, quase implorar, para que a família biológica aceite uma criança tão desejada por centenas de pais e mães em uma sofrida fila? É muito triste. E nem todos têm a sorte que eu tive.

Mergulhada nessa espera, sem notícias e com um sentimento de revolta começando a me ocupar. É quando ela aparece da maneira mais inusitada para me fazer a mais amorosa de todas as ofertas que recebi nesses 37 anos. Numa mensagem de Facebook, entre links, pedidos de desculpas e um altruísmo até então desconhecido por mim, disse que queria me ajudar.

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