Desapeguem-se.

Graças a Deus, recebo muitas mensagens de mulheres que também vão passar pelo que eu passei. Mulheres que tiveram a sorte na vida de ter uma amiga como a que eu tenho. E dou graças a Deus, porque entendo que cada vez mais, mais gente tem percebido que essa é uma possibilidade da vida real, não apenas de novela. Dá pra ser feliz mesmo, pessoal!

Pois bem, entre zilhões de questionamentos, um em especial sempre aparece: Você não teve medo da sua amiga se apegar às crianças? – E eu sempre respondo que não, da mesma maneira. Se não fosse pra ela se apegar, eu poderia ter feito isso na Índia, nos EUA, na Conchichina.

Tudo o que eu queria era alguém para dar ao meus filhos o que eu não podia dar naquele momento. Alguém que cuidasse deles, que cantasse pra eles, que conversasse, que os alimentasse bem…e isso só se faz com amor, gente. O que eu queria era justamente alguém que se apegasse. Que os amasse, que os desejasse felizes e saudáveis quando viessem para o meu colinho. E isso eu tive. E tenho ainda. Uma amiga, e Dinda da minha Pi, carinhosa, presente mesmo longe, querida e amada por toda a minha família. Nunca vi solidariedade sem amor.

A essas mulheres corajosas, que estão se preparando para acompanhar seus filhos crescerem em outro ninho, aconselho que desapeguem-se dos padrões. Desapeguem-se. Porque o que vem por aí é muito novo e muito lindo. E o melhor de tudo: é possível! É real!

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Lá na Felicíssimo.

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Dois meninos depois, andei deixando o blog de lado.   Na última postagem ainda estava em Porto Alegre, treinando o amor com os filhotes de Dani, enquanto os meus nos davam sustos.  Sai voando de Recife na quarta-feira, dia 22 de julho, acreditando que meus filhos nasceriam antes mesmo do avião pousar. Pois bem, os danadinhos só vieram dar as caras em um sábado lindo e o mais emocionante de minha vida. Já era agosto, dia 15.

Nesse quase um mês na minha casa ninho, fui acolhida e amada como em poucos lugares em que estive. Até hoje morro de saudades da rua Felícíssimo de Azevedo. Felicíssima era eu, apesar de tanta ansiedade e de tanto medo. Às vezes, quando fico triste por algum motivo, desejo me teletransportar pra lá ( Hoje é um dia desses, pois voltei a trabalhar em dia de vacina. As mães sabem do que falo 😦 ).  Apesar do barulho e dos brinquedos espalhados pela sala,  existe ali a paz dos que são felizes e têm fé. Quem os conhece sabe do que falo.

Os dias eram iguaizinhos, é verdade. Mas era tão bom. A cumplicidade, as risadas, o suco de tudo misturado, os banhos para dormir, a buzina da van da escola chegando.  Na Felicíssimo fui feliz da maneira mais simples e mais honesta que se pode ser.  Choro só de escrever. Choro bom de quem tem a sorte máxima de ter a oportunidade que tive e de ainda afiar o amor lá na Felicíssimo.

A melhor das trocas.

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De todas as trocas dessa relação, a mais legal estou vivendo agora. Estou mãe solidária também. Pra Dani descansar o máximo possível nessa reta final, tenho me desdobrado entre checagem de bumbum pós coco, troca de fralda, banho, enrolação noturna antes da mãe colocar pra dormir. Quer saber? Que delícia! Me sinto útil, retribuindo o mínimo, com puro amor e dedicação, o que essa família tem feito pela minha.

Não é nada difícil. São dois pitocos lindos, cheirosos, educados, muito criativos, engraçados e, sobretudo, amorosos. Também, né? Com os exemplos que têm não podia ser diferente.

Os dias vão passando mais rápido e mais ricos assim. Estou feliz com meu novo cargo. Apesar da entrega nem se comparar, me revigora a certeza de que Bento e Zé confiam na tia Gábi e acreditam no amor verdadeiro que sinto por eles. Criança sente. ❤️

Sobre tolerância.

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Essa semana uma amiga querida nos marcou, eu e Dani, em um post de uma matéria sobre o primeiro caso de barriga solidária em Campo Grande. Incrível, achei. Porque torço e contribuo para que essa prática de amor seja divulgada e desmistificada e mais pessoas possam ser felizes. Tanto as que vão receber esse presente, quanto as que vão se entregar em empréstimo. Acredito que ninguém dá sem receber. Mesmo que faça sem querer nada em troca. É a lei da vida.

O negócio é que fui lá nos comentários e relembrei o quanto nós, seres humanos, somos capazes de julgar, de formar juízo de valor com pouco ou nenhum conhecimento de causa, sobre qualquer tipo de assunto. Inclusive a maternidade alheia. Claro que havia muita gente desejando felicidades, parabenizando e abençoando as irmãs em questão e a criança. Mas havia também uma parcela de detetives a querer saber de quem era o óvulo, de quem foi a ideia, e o mais importante, para eles, claro: de quem era o filho?

Nesse caso específico uma irmã recebeu um embrião formado pelo sêmem do cunhado e um óvulo doado, já que a outra irmã era infértil. Certo que a matéria era mal escrita e dava, sim, margem para diversos questionamentos. Mas nada justifica, pra mim pelo menos, a facilidade com a qual as pessoas se julgam superiores ou mais  merecedoras que as  demais.

Pra começar, uma confusão sobre quem era a verdadeira mãe. Uma corrente defendendo que a mãe é a que gerou. Outra, que a mãe é a que cria. E a última, a dona do óvulo. Imagine o caos, visto que essa daí é uma desconhecida. Aí, o problema virou outro. E a criança? Como vai ficar a cabeça dessa criança? Gerada por uma mulher, criada por outra e biologicamente de uma terceira.  Como o amor é difícil de ser aceito.

Ainda havia uma leva fervorosa querendo saber o porquê de um a pessoa se submeter a esse turbilhão emocional, envolver a irmã, a família toda, gastar dinheiro com inseminação, criar uma confusão se o Brasil tem tanta criança abandonada para ser adotada. Então, segundo alguns, essa mulher não queria um filho de verdade, ou teria adotado, simples assim.

Falar sobre adoção sem entender nada do assunto é, no mínimo, deselegante. Como julgar. E até eu, que seguro a minha onda, me magoei e chorei dessa vez. Vai ver é porque daquelas centenas de comentários os meus eram os únicos vindos de quem realmente sabe o que é participar desse triângulo amoroso da barriga solidária. Abençoado, bonito, mas muitas vezes emocionalmente desgastante. Só eu, dalí, sabia o que é passar por um processo de habilitação para adotar uma criança e esperar sem notícias. Dois, três, quatro anos ou mais.

Meus filhos já me ensinaram muito. Os três. Tanto, que respondi com cautela e generosidade alguns comentários, mas quando percebi que a insensatez não tem limites, em vez de esbravejar, em vez de xingar, parei. Meus filhos já me ensinaram que é preciso ser tolerante com as pessoas e com a vida. Deus sabe o quanto aprendi e sou grata por isso. Aceito o que não posso compreender. Tolero o que não posso combater sem ultrapassar a minha ética cristã. Paro porque, como ser humano, também sou capaz de sentir raiva, de julgar e de desdenhar. Mas meus filhos me ensinaram a ser corajosa, recuar e tolerar antes de chegar a esse ponto. Por vezes consigo, por vezes não. Mas sigo tentando.

O mundo real é compartilhado.

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Uma das coisas que acho mais lindas nessa gravidez é o fato de compartilhar. Compartilhar a dádiva de gestar, de parir, de sentir. E de compartilhar tudo o mais também. Quero dizer o lado prático da história.

Para mim, que sempre quis criar filhos no mundo real (o que realmente importa), Deus mandou logo dois de uma vez. Para aprenderem desde o começo que compartilhar é necessário. Nesse mundo, os valores são diferentes. Amigos se emprestam e emprestam o que podem. Conselhos, dicas, tempo e bebês conforto, roupas, laços, mantas, banheira. Nesse mundo real isso é tão normal. E tão bonito.  Economizar é bom, claro. Mas me emociona essa entrega ( desculpem, estou mais mole que nunca ). Tudo vem com uma energia boa, um carinho, um desejo que dê certo. Coisas emprestadas me fazem feliz. Não é engraçado? Porque sinto amor nelas. Sinto apoio. Sinto que o mundo à minha volta é ele mesmo, o que eu persigo, o que quero para os meus filhos.

Alguém já disse que as melhores coisas da vida não são coisas. Verdade.  Não é o sapatinho ou a camisa ou o colchãozinho usado. É o gesto e tudo o que ele representa. As melhores coisas da vida são os amigos. E disso, ah, disso eu entendo.

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Fui embora pra Porto Alegre. Meio mundo de amigas emotivas me dizendo que eu tinha que conversar muito com a barriga de Dani, que eles tinham que ouvir minha voz. Mas eu me conheço. Sabia que não ia acontecer.

Converso com meus filhos diariamente. Na hora de dormir e na hora de acordar. A linguagem do amor. Digo a eles o quanto são amados, bem vindos e o quanto estou pronta para aprender e para ensinar. Eu canto. Prometo a eles que estarei ao seu lado por toda essa nova existência. E vou cumprir. Acho que, por isso, foi ok pra mim não conversar com a barriga. Não aconteceu. Claro que, vez por outra, principalmente quando eu ria alto – porque eu sempre rio alto quando estou com Dani e Queiroz – pensava: Será que vocês vão reconhecer a minha risada?

Essa gravidez existe no meu coração. Por mais que eu olhe aquele barrigão já gigante,  sei lá o por quê, não faço ainda uma conexão tão imediata com a existência dos meus filhotes. Sim, também acho estranho. Tão estranho que me dei conta, choramingando no táxi de volta, que não havia me despedido deles. Minutos de culpa. E, aí, lembrei. Não esqueci de me despedir, é que a gente não havia nunquinha se separado. Talvez seja um mecanismo de defesa. Que seja. Deixar meus meninos, por mais que eu saiba que estão sendo muito amados e bem cuidados, não é muito legal, né?

Foi muito incrível esse primeiro reencontro com a minha família-ninho. Estava com muito mais saudades do que pensava.

O lado de lá.

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Roubei o texto da fanpage de minha amiga. Afinal, essa história linda tem dois lados. 😉

” Quando resolvi ser solidaria eu não sabia o que me esperava, sabia sim, na pratica o que é gestar alguém, e também cuidar de alguém que não é meu e depois devolver, isso sim eu já sabia, ai era moleza, mas até então eu só sentia, imaginava o tamanho disso, só não sabia o que e como isso viria, só sabia que era algo muito grande, enorme, muito maior que qualquer outra coisa que já havia sentido/vivido. E foi assim, está sendo assim, inesperado, gratificante, enobrecedor. É você estreitar os laços com pessoas que até então você tinha carinho, mas se limitava a isso.
Só que, perceber que existe uma responsabilidade, um dever a ser cumprido e você seguir regras, estabelecidas por você próprio para que nada dê errado ou saia do curso que até então se criou sozinho, o caminho se fez sozinho, aquela bolha de amor que não deixa nada de ruim entrar, e é meu o dever de fazer acontecer, claro, com ajuda de Deus, porque sem a vontade dele nada é possível.
Dia desse li umas coisas num blog que ela criou para contar essa experiência, coisas legais e o mais legal é você ver como alguém te enxerga, mas não digo só do lado bom não, porque todos temos defeito. Estou em um ciclo da minha vida, vivendo uma maternidade compartilhada, sendo o corpo quando ela é a vida e dai eu sou a vida e ela é todo amor, toda expectativa, todo apoio, tudo que sou pra ela, mas ela é/será mãe desses dois pequenos que significam tanto que nem sei dizer, é um dever, é uma missão minha, fiz porque quis, porque tive apoio da pessoa que não me larga por nada nesse mundo, meu marido, mas o que me deixa mais feliz em tudo isso, é poder saber que daqui a uns meses, nossos amigos irão poder sentir o que eu e ele sentimos todos os dias quando acordamos e tem ali, ao nosso lado, nossos filhos que dependem de nós, que necessitam do nosso amor pra serem felizes.
Me ofereci para ser barriga solidária, ponto. Não me interessa o que os outros pensam, para uns, é uma benção para quem está sendo “presenteado”, para outros, uma loucura ( ho ho ho) e para mim uma dádiva, poder gestar, alimentar, sustentar, dar amor, poder amar um conjunto que não é seu mas que lhe pertence porque você aceitou fazer parte disso, e eles te permitiram fazer parte disso, para depois devolver a “seus donos”, é uma evolução que não tem preço, é algo lindo, eu sai da minha zona de conforto, eu queria que as pessoas saíssem também, queria levantar essa bandeira para que todos saibam que é possível e ainda mais porque o único interesse que rodeia essa nossa historia é o amor e a felicidade mútua, que já basta. Pra mim basta! Não precisa de nada mais, meus filhos vão aprender que ajudar é bom, eu estou junto deles para que entendam esse universo que estamos vivendo e não importa se isso vai me trazer consequência boa ou ruim, não penso nisso, penso que Deus criou uma oportunidade e vou segui-la com gratidão, amor e certeza.”

https://www.facebook.com/pages/Barriga-Solid%C3%A1ria-ou-%C3%9Atero-de-Substitui%C3%A7%C3%A3o/725496294172458?fref=ts

A gente se conheceu pelo FaceTime.

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Já estamos com 13 semanas. Meus elefantinhos medem uns 8cm agora e a primeira ultra, quando ainda nem sabíamos que eram 2, foi muito emocionante.

Dani  ligou pelo FaceTime pra me avisar que havia chegado ao consultório e pra testar a ferramenta (ahahahahah). Não vou mentir, achei a coisa mais estranha, fiquei nervosa. Ok, funciona. Espera. Aí, ela ligou de novo. Quase desmaiei. Desconserto. Não sabia o que dizer, como agir. Um medo perturbador tomou conta do meu corpo inteiro. E se tivesse algo errado? E se não tivesse mais nada ali? E, se, como é que eu ia reagir? O que ia dizer àquela mulher gigante que estava fazendo por mim o que só ela, agora eu tenho certeza, podia fazer? Se não desse certo eu ia sofrer horrores. Ela também sentiria.

Mas esse medo durou apenas alguns instantes, porque logo  vi aquela família vibrando pra que a minha família começasse. Ali mesmo, naquela sala. Marido, dois filhos desconfiados, ela deitada lá e a médica pronta, de ultrassom na mão, pra me dar o veredito. Foi quando um sentimento quentinho me invadiu. Tinha um coração batendo lindo na mais solidária e amorosa de todas as barrigas do mundo. Ufa. Um garantido.

Segundos depois,  nova euforia. Tem outro saco, a médica disse. Calma, vamos ver se tem algo dentro dele.  E tinha! Ficamos doidinhos. Isso mesmo, doidinhos é  a palavra certa. Aliás, as palavras sumiram! Também, tudo isso, meu futuro, minha vida nova se apresentando numa telinha de Iphone 4… Doidinha. É isso mesmo. Comemoramos. Desliguei a câmera. Nem imagino o que Dani pensou nessa hora. Julgo que foi uma mistura de Que incrível! e Jesus! Claro. Carregar 2 é mais difícil mesmo. Doação e amor duplicados. Gratidão em dobro.

Depois de chorar 20 minutos e agradecer de joelhos, liguei pra Breck .  Vai, Gábi…é brincadeira ou é verdade?

Bolha de paz e de felicidade.

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Ele me disse: – Parece que se criou uma bolha de paz e de felicidade que não deixa nada de ruim entrar, muito louco isso. Não sei explicar direito.

Fiquei pensando no poder da energia do bem. Como temos a força de fazer circular bons sentimentos e como eles nos protegem, criando mesmo essa bolha de paz e de felicidade.  É quase como se pudéssemos tocar o amor, de tão presente que ele se faz. Ninguém dá sem receber. Mesmo que faça sem querer nada em troca. É a lei da vida.

Tantas vezes penso na grandeza da doação da minha amiga e sempre penso também no marido dela. Esse cara que me disse isso aí em cima, indo pra casa, pra arrumar tudo, fazer o jantar e cuidar dos filhos, enquanto a mulher, grávida, descansa. Tantas vezes quantas pensar, vou chegar à mesma conclusão: eles se merecem.

O segundo começo.

Muita gente vai pensar o por quê de eu ter postado um texto escrito há mais de 2 anos no começo desse blog. Um texto sobre o meu primeiro filho e sobre as minhas tentativas frustradas de ser mãe novamente. A resposta é simples: tudo começou ali. Então, por onde mais eu começaria também? Por isso, para entender essa história toda, melhor ir lá no começo, no primeiro texto.

Ser mãe adotiva é um querer que me persegue. Não sei se por vocação ou por falta de saída, não posso mentir. O fato é que se foi por falta de saída que ele se instalou, meu coração me convenceu bem, porque esse desejo é latente em mim, mesmo agora quando tudo mudou. Ter a capacidade de amar e cuidar de alguém que não tem o meu sangue não seria absolutamente difícil. Saber ser capaz disso me engrandece perante mim mesma. Um filho adotado seria um troféu íntimo pela evolução de minha capacidade de amar. Um filho adotado seria a cereja do bolo de minha vida agora. Bom, talvez daqui a alguns anos, para não afugentar um marido assustado, porém cúmplice de minhas aventuras não planejadas.

A minha vida me surpreende. Jamais a imaginei tão fora do quadrado assim. Muitas pessoas me diriam: – que felicidade viver fora de padrões e estereótipos! Eu pensava isso também. Até que o meu caminho saiu do padrão justo na hora de eu ser mãe. Sabe mãe? Igual a sua, a minha, a do vizinho? Pois é. Eu queria ser mãe igual às outras. Padrão. Engravidar e parir. Engravidar, ter problemas e parir. Enfim, parir. Mas não era isso que o departamento lá de cima havia me reservado. E foi esse mesmo departamento que me enviou um presente: uma criatura com aquela capacidade expandida para amar que eu tanto persigo.

Há dois anos estou em meio a processos e espera no Cadastro Nacional de Adoção. E a espera é bem maior que essa. Vejo pretendentes de mãos atadas e colos vazios há quatro ou cinco anos até. Aquele discurso bonito do meu primeiro texto, sobre esperar, sobre a adoção ser a última opção para as crianças… Eu mudei. Continuo acreditando no poder imensurável do amor. Mas já não acho essa espera tão romântica assim. Mudei de ideia sobre a prioridade da adoção na vida das crianças, por exemplo. Se o amor deve ser independente de consaguinidade para quem adota, por que a justiça não age de acordo com essa lei maior também? Por que insistir tanto, quase implorar, para que a família biológica aceite uma criança tão desejada por centenas de pais e mães em uma sofrida fila? É muito triste. E nem todos têm a sorte que eu tive.

Mergulhada nessa espera, sem notícias e com um sentimento de revolta começando a me ocupar. É quando ela aparece da maneira mais inusitada para me fazer a mais amorosa de todas as ofertas que recebi nesses 37 anos. Numa mensagem de Facebook, entre links, pedidos de desculpas e um altruísmo até então desconhecido por mim, disse que queria me ajudar.