Violência.

Nunca falamos sobre em que condições vivenciamos nossa gestação e o parto. Eu adoraria dizer que o amor que nos uniu nessa aventura contagiou a equipe que nos acompanhou. Mas a verdade foi outra. Vivenciamos 36 semanas e meia de violência obstétrica disfarçada em ironias, perguntas maliciosas, ameaças veladas de que algo podia dar errado caso fizéssemos diferente. Quantas e quantas vezes eu ouvi: E essa barriga depois? Quem vai ajeitar? Quantas e quantas vezes Dani não ouviu o mesmo? Quantas pessoas não perguntaram isso como quem dizia que já que eu estava explorando a boa vontade dela…Nossa obstetra me negou documentação para dar entrada em licença maternidade. Alegou que a paciente dela era Danielle. Não entendeu nada, coitada. Éramos uma só durante tanto tempo. Era tão claro pra gente. Foi sempre uma cruzada contra mim. Uma desconfiança sobre Dani. Todas as vezes que ia a Porto Alegre sofria pelo instante antecipado da consulta. Mas sempre respiramos fundo e aturamos porque acreditávamos estar vivendo algo muito maior que aquilo.Essa mesma profissional decidiu sozinha que Dani não poderia amamentar Pilar e Martim. No dia seguinte ao parto ela entrou e disse: Chega, né? Você já fez a sua parte, agora o problema é da Gabriela. Vou lhe dar medicação, enfaixar seus seios… Lembro de apenas olhar para o rosto da minha comadre e esperar sua reação, braba e empoderada que é. Mas ela apenas consentiu. Nunca lhe disse que não queria que ela desse de mamar. Mas nunca achei que estava no direito de pedir depois de tanta dedicação. TODOS os profissionais envolvidos na gestação e parto me disseram que não era aconselhável. Pra ela não se apegar, não sofrer. TODOS não a conheciam. E eu, mesmo conhecendo-a tão bem, insegura e acuada como ela no dia que obstetra decidiu tudo por nós, paralisei diante de todos eles. Hoje me arrependo de não ter gritado, contestado. EU QUERIA QUE ELA TIVESSE AMAMENTADO. Não, não me sentiria menor. Aceitei essa oferta amorosa e solidária justo por saber que ela seria acompanhada por apego e sentimento. De outro modo, não teria feito. Acontece que o pós parto nos deixa suscetíveis. E mesmo eu que não havia parido estava frágil, numa c28158000_191920554746262_7065708234031497216_nidade desconhecida, com dois prematuros e força nenhuma pra qualquer embate. É aí que a violência obstétrica se infiltra. Você fica vulnerável e pronto, tudo acontece. No fundo as pessoas não acreditavam que uma mulher era capaz de fazer aquilo por outra. Desconfiavam que não era solidário nada. Transitam e julgam por si sós. Lembro da pediatra entrando no quarto e nem cumprimentando Daniele. Colega da que achou estranho quando antes de apresentar os bebês no vidro eu levei pra Dani vê-los, pra abençoá-los e ter a certeza de sua grandeza como ser humano. É isso. Eles não acreditavam. Perderam de vivenciar aquilo tudo. Porque pra gente tudo isso foi doído, mas nossa história seguiu e a pequena brabeza depois se manifestou e disse tudo o que queria na cara da doutora mais recomendada da cidade. Como eu pude achar que ela não o faria? 🙂 Com amor para @danifigueredo. Meu reconhecimento e agradecimento à Dra. Altina Castelo Branco e TODA a sua equipe, de Recife, pelo carinho , entusiamo e respeito pela nossa história. E por ter inseminado Tim e Pi no dia 24 de dezembro, com a clínica fechada.

Advertisements

Nem tudo foram flores.

27892793_814319405418309_4238768361896411136_nLembro como se fosse hoje desse dia. Ou Dani tirava essa foto ou morria. Não tinha fotógrafo profissional, nem figurino, nem maquiagem. Era um dia normal de sol num parque em Porto Alegre e levamos Bento e Zé para brincar. Mas ela tinha que tirar essa foto. Andamos tudo o que não devíamos para achar essa escadaria como cenário e testamos essa pose mil vezes. Engraçado. Hoje vi uma enxurrada de fotos lindas de gravidez e parto e lembrei dessa. Minha gravidez fora de mim, fora da caixa, fora de controle. Às vezes fecho o olho e penso como conseguimos fazer isso. O tanto de preconceito que enfrentamos. Quantas bobagens escutamos. No Globo Repórter todo mundo acha lindo. Mas a verdade é que respiramos fundo e aturamos, por falta de opção e insegurança, muitos profissionais competentes para lidar com o padrão e completamente despreparados para acolher o inesperado. Nem tudo foram flores. Seguro mesmo é que tínhamos uma à outra. E tínhamos Pilar e Martim prestes a chegar.

A bolha.

QNWS0400Aproveitando o tema, enquanto os meninos brincavam de bolha de sabão hoje, lembrei de uma conversa que tivemos quando começamos a procurar escola para os dois. De tanto ouvir o povo me dizendo isso, perguntei à psicóloga: é doidice eu não achar grave que meus filhos vivam numa pequena bolha de liberdade e ingenuidade enquanto são tão pequenininhos? E, em outras palavras, ela respondeu que a maior doidice de todas é como a sociedade tem cuidado da primeira infância de nossas crianças. É muita pressa, muita informação, muito investimento no futuro, muito consumismo de todos os gêneros, muito desrespeito ao curso natural da vida. Criança não precisa aprender a ler e a escrever antes do tempo, a falar inglês, ter um tablet, um smartphone, acessar o YouTube. Criança só precisa brincar. Brincando ela ensaia pra quando a vida real teimar em chegar. Ano passado assisti ao documentário Tarja Branca , imperdível para todos. Uma passagem específica ficou marcada em mim, justo por servir de argumento pra quando me questionam sobre nossas escolhas. Lydia Hortelio, educadora, diz: ” (…) ninguém nasceu pra fazer vestibular. A gente nasceu pra ser gente. Pra se expressar em plenitude e liberdade (…) e meu filho vai viver de quê? Não sei! Vai viver melhor, tenho certeza.” Enquanto possível, manterei minha bolha no ar.

Já volto.

IMG_2559Aprendi com o tempo a confiar. Me libertei de estar o tempo todo. Deixei pra lá a arrogância de ter que ser do meu jeito. Entrego. Voo. Todos sobrevivem. Laços se estreitam. Relações se fortalecem. É preciso saber da importância do outro também. É parte do pai, ou do avô, do tio ou amigo ajudar nossos filhos pequenos a perceberem que existe vida longe da mãe. É bom confiar. Adoro. Toma. Já volto. Mas sempre volto. 😉 Para @breckenfeld ❤️.

Aprendi com o tempo a confiar. Me libertei de estar o tempo todo. Deixei pra lá a arrogância de ter que ser do meu jeito. Entrego. Voo. Todos sobrevivem. Laços se estreitam. Relações se fortalecem. É preciso saber da importância do outro também. É parte do pai, ou do avô, do tio ou amigo ajudar nossos filhos pequenos a perceberem que existe vida longe da mãe. É bom confiar. Adoro. Toma. Já volto. Mas sempre volto. 😉 Para @breckenfeld ❤️.

Nem sempre vale todos por um.

IMG_2612Dois ao mesmo tempo dá muito trabalho, né? Vixe, se dá! Mas temos a sorte de ter crianças muito legais. Cada uma com uma personalidade bem diferente da outra, mas dois “gente boa”. Isso é uma das coisas mais enriquecedoras dessa história. Aprender que, mesmo dando um trabalho danado, é preciso respeitar a individualidade de cada um. Sim, porque muitas vezes o cansaço e a TPM nos impelem a querer resolver tudo como em uma linha de produção. Mas, mãe, esse não, meu copo é o do peixinho. Mas eu não quero maçã. Mãe, quero sair do banho. Mãe, quero brincar mais um pouquinho no banho. Dias desses levei uma enquadrada de Martim na flor de seus 2 anos e 4 meses. Disse a ele, injuriado, que estávamos indo embora de uma festa porque Pilar estava muito chata. Disse pra Pilar ouvir e logo depois percebi que não foi uma atitude legal, enfim. E o galego, mais maduro que eu naquele momento, disparou: Mas eu não tô chato! – Tóin! Caiu uma panela de pressão na minha cabeça. Somos uma família, um por todos, todos por um, mas peraí!!! E nunca mais esse argumento de Tim me largou. Meu esforço constante, apesar das horas de desespero, é pelo respeito à individualidade de meus filhos. Tem dias que flui lindo. Outros, servem de lição. Importante é não desistir de aprender.

Naturalmente.

Ontem uma amiga muito querida me deixou igualmente feliz. Ei, esse texto é para você, sua sortuda. Você que teve a ousadia, sua danada (rsrs), de me dizer que não queria fazer uma FIG porque gostaria de engravidar "naturalmente". Vem cá, vou te dizer o que é natural. Natural é colocar seu filho para dormir. Acordar junto, embolado, com aquela carinha amassada. É dar beijo, abraço apertado até ele reclamar. Naturalíssimo é ter vontade de chorar de tanto amor que angustia a gente. É oferecer todas as ferramentes viáveis para ele se desenvolver e ao mesmo tempo sofrer porque está crescendo. Natural é uma mulher que quer ser mãe ter um filho. De qualquer maneira que esse filho venha. Para as que podem engravidar sem ajuda médica, que sorte! Para as que podem gestar, com ou sem ajuda médica, que sorte! Para as que podem parir da maneira mais natural possível, que sorte ( ❤️). Para todas as outras, que sorte que existem alternativas. No final das contas, amiga, natural é seguir o fluxo do nosso rio. Resiliência. Gratidão. Escutei esses dias uma frase que terei sempre em mente: " O nosso maior erro é achar que a vida acontece com a gente. A vida, na verdade, acontece para a gente." Eu não tenho dúvidas que meus filhos chegaram da maneira que precisavam chegar. Eu e @danifigueredo precisávamos passar por isso. E quando me perguntam se sofri por não poder gestar, não poder parir, digo que aceito a minha humanidade e admito que em algum momento sim. Mas sofri uma colher de chá. E agradeci uma concha cheia. Naturalmente eles crescem rápido demais e você tem mais é que aproveitar. Sabes bem já. Coragem! Sorte! Saúde! Nossos corações de mãe estão conectados.  Puro amor.

Ontem uma amiga muito querida me deixou igualmente feliz. Ei, esse texto é para você, sua sortuda. Você que teve a ousadia, sua danada (rsrs), de me dizer que não queria fazer uma FIG porque gostaria de engravidar “naturalmente”. Vem cá, vou te dizer o que é natural. Natural é colocar seu filho para dormir. Acordar junto, embolado, com aquela carinha amassada. É dar beijo, abraço apertado até ele reclamar. Naturalíssimo é ter vontade de chorar de tanto amor que angustia a gente. É oferecer todas as ferramentes viáveis para ele se desenvolver e ao mesmo tempo sofrer porque está crescendo. Natural é uma mulher que quer ser mãe ter um filho. De qualquer maneira que esse filho venha. Para as que podem engravidar sem ajuda médica, que sorte! Para as que podem gestar, com ou sem ajuda médica, que sorte! Para as que podem parir da maneira mais natural possível, que sorte ( ❤️). Para todas as outras, que sorte que existem alternativas. No final das contas, amiga, natural é seguir o fluxo do nosso rio. Resiliência. Gratidão. Escutei esses dias uma frase que terei sempre em mente: ” O nosso maior erro é achar que a vida acontece com a gente. A vida, na verdade, acontece para a gente.” Eu não tenho dúvidas que meus filhos chegaram da maneira que precisavam chegar. Eu e @danifigueredo precisávamos passar por isso. E quando me perguntam se sofri por não poder gestar, não poder parir, digo que aceito a minha humanidade e admito que em algum momento sim. Mas sofri uma colher de chá. E agradeci uma concha cheia. Naturalmente eles crescem rápido demais e você tem mais é que aproveitar. Sabes bem já. Coragem! Sorte! Saúde! Nossos corações de mãe estão conectados. Puro amor.

Desapeguem-se.

Graças a Deus, recebo muitas mensagens de mulheres que também vão passar pelo que eu passei. Mulheres que tiveram a sorte na vida de ter uma amiga como a que eu tenho. E dou graças a Deus, porque entendo que cada vez mais, mais gente tem percebido que essa é uma possibilidade da vida real, não apenas de novela. Dá pra ser feliz mesmo, pessoal!

Pois bem, entre zilhões de questionamentos, um em especial sempre aparece: Você não teve medo da sua amiga se apegar às crianças? – E eu sempre respondo que não, da mesma maneira. Se não fosse pra ela se apegar, eu poderia ter feito isso na Índia, nos EUA, na Conchichina.

Tudo o que eu queria era alguém para dar ao meus filhos o que eu não podia dar naquele momento. Alguém que cuidasse deles, que cantasse pra eles, que conversasse, que os alimentasse bem…e isso só se faz com amor, gente. O que eu queria era justamente alguém que se apegasse. Que os amasse, que os desejasse felizes e saudáveis quando viessem para o meu colinho. E isso eu tive. E tenho ainda. Uma amiga, e Dinda da minha Pi, carinhosa, presente mesmo longe, querida e amada por toda a minha família. Nunca vi solidariedade sem amor.

A essas mulheres corajosas, que estão se preparando para acompanhar seus filhos crescerem em outro ninho, aconselho que desapeguem-se dos padrões. Desapeguem-se. Porque o que vem por aí é muito novo e muito lindo. E o melhor de tudo: é possível! É real!

18Tintin&Pinafolia_2016

Lá na Felicíssimo.

11233335_1075784779129154_3088949487820144016_n

Dois meninos depois, andei deixando o blog de lado.   Na última postagem ainda estava em Porto Alegre, treinando o amor com os filhotes de Dani, enquanto os meus nos davam sustos.  Sai voando de Recife na quarta-feira, dia 22 de julho, acreditando que meus filhos nasceriam antes mesmo do avião pousar. Pois bem, os danadinhos só vieram dar as caras em um sábado lindo e o mais emocionante de minha vida. Já era agosto, dia 15.

Nesse quase um mês na minha casa ninho, fui acolhida e amada como em poucos lugares em que estive. Até hoje morro de saudades da rua Felícíssimo de Azevedo. Felicíssima era eu, apesar de tanta ansiedade e de tanto medo. Às vezes, quando fico triste por algum motivo, desejo me teletransportar pra lá ( Hoje é um dia desses, pois voltei a trabalhar em dia de vacina. As mães sabem do que falo 😦 ).  Apesar do barulho e dos brinquedos espalhados pela sala,  existe ali a paz dos que são felizes e têm fé. Quem os conhece sabe do que falo.

Os dias eram iguaizinhos, é verdade. Mas era tão bom. A cumplicidade, as risadas, o suco de tudo misturado, os banhos para dormir, a buzina da van da escola chegando.  Na Felicíssimo fui feliz da maneira mais simples e mais honesta que se pode ser.  Choro só de escrever. Choro bom de quem tem a sorte máxima de ter a oportunidade que tive e de ainda afiar o amor lá na Felicíssimo.

A melhor das trocas.

image

De todas as trocas dessa relação, a mais legal estou vivendo agora. Estou mãe solidária também. Pra Dani descansar o máximo possível nessa reta final, tenho me desdobrado entre checagem de bumbum pós coco, troca de fralda, banho, enrolação noturna antes da mãe colocar pra dormir. Quer saber? Que delícia! Me sinto útil, retribuindo o mínimo, com puro amor e dedicação, o que essa família tem feito pela minha.

Não é nada difícil. São dois pitocos lindos, cheirosos, educados, muito criativos, engraçados e, sobretudo, amorosos. Também, né? Com os exemplos que têm não podia ser diferente.

Os dias vão passando mais rápido e mais ricos assim. Estou feliz com meu novo cargo. Apesar da entrega nem se comparar, me revigora a certeza de que Bento e Zé confiam na tia Gábi e acreditam no amor verdadeiro que sinto por eles. Criança sente. ❤️

Sobre tolerância.

tolerancia

Essa semana uma amiga querida nos marcou, eu e Dani, em um post de uma matéria sobre o primeiro caso de barriga solidária em Campo Grande. Incrível, achei. Porque torço e contribuo para que essa prática de amor seja divulgada e desmistificada e mais pessoas possam ser felizes. Tanto as que vão receber esse presente, quanto as que vão se entregar em empréstimo. Acredito que ninguém dá sem receber. Mesmo que faça sem querer nada em troca. É a lei da vida.

O negócio é que fui lá nos comentários e relembrei o quanto nós, seres humanos, somos capazes de julgar, de formar juízo de valor com pouco ou nenhum conhecimento de causa, sobre qualquer tipo de assunto. Inclusive a maternidade alheia. Claro que havia muita gente desejando felicidades, parabenizando e abençoando as irmãs em questão e a criança. Mas havia também uma parcela de detetives a querer saber de quem era o óvulo, de quem foi a ideia, e o mais importante, para eles, claro: de quem era o filho?

Nesse caso específico uma irmã recebeu um embrião formado pelo sêmem do cunhado e um óvulo doado, já que a outra irmã era infértil. Certo que a matéria era mal escrita e dava, sim, margem para diversos questionamentos. Mas nada justifica, pra mim pelo menos, a facilidade com a qual as pessoas se julgam superiores ou mais  merecedoras que as  demais.

Pra começar, uma confusão sobre quem era a verdadeira mãe. Uma corrente defendendo que a mãe é a que gerou. Outra, que a mãe é a que cria. E a última, a dona do óvulo. Imagine o caos, visto que essa daí é uma desconhecida. Aí, o problema virou outro. E a criança? Como vai ficar a cabeça dessa criança? Gerada por uma mulher, criada por outra e biologicamente de uma terceira.  Como o amor é difícil de ser aceito.

Ainda havia uma leva fervorosa querendo saber o porquê de um a pessoa se submeter a esse turbilhão emocional, envolver a irmã, a família toda, gastar dinheiro com inseminação, criar uma confusão se o Brasil tem tanta criança abandonada para ser adotada. Então, segundo alguns, essa mulher não queria um filho de verdade, ou teria adotado, simples assim.

Falar sobre adoção sem entender nada do assunto é, no mínimo, deselegante. Como julgar. E até eu, que seguro a minha onda, me magoei e chorei dessa vez. Vai ver é porque daquelas centenas de comentários os meus eram os únicos vindos de quem realmente sabe o que é participar desse triângulo amoroso da barriga solidária. Abençoado, bonito, mas muitas vezes emocionalmente desgastante. Só eu, dalí, sabia o que é passar por um processo de habilitação para adotar uma criança e esperar sem notícias. Dois, três, quatro anos ou mais.

Meus filhos já me ensinaram muito. Os três. Tanto, que respondi com cautela e generosidade alguns comentários, mas quando percebi que a insensatez não tem limites, em vez de esbravejar, em vez de xingar, parei. Meus filhos já me ensinaram que é preciso ser tolerante com as pessoas e com a vida. Deus sabe o quanto aprendi e sou grata por isso. Aceito o que não posso compreender. Tolero o que não posso combater sem ultrapassar a minha ética cristã. Paro porque, como ser humano, também sou capaz de sentir raiva, de julgar e de desdenhar. Mas meus filhos me ensinaram a ser corajosa, recuar e tolerar antes de chegar a esse ponto. Por vezes consigo, por vezes não. Mas sigo tentando.